Se alguém me perguntasse como isto aconteceu confesso que não saberia como responder.
Quais são as chances?
Suponho que assim como todos os outros absurdos da vida, antes de acontecerem, as chances são sempre mínimas, ínfimas, ridiculamente irrelevantes. Até que eles acontecem. Deixam de ser absurdos.
É quando descobrimos que somos engenheiros de castelos de cartas. E que nosso castelo não era de forma alguma especial. Assim como os outros, ele, eventualmente, faz o que todo bom castelo de cartas faz: desmoronar. É como se ele estivesse fadado a isto.
E, não é fácil ver seu próprio castelo de cartas desmoronar. Não. É decepção pura ver que sua construção é suscetível a qualquer vento que resolver por ali soprar.
Mas, cedo ou tarde, tudo vai por água abaixo, e, então, longe de todos os meus anseios, as coisas se tornam fato consumado. Oh, os fatos consumados...sempre tão irritantemente irreversíveis! Não há volta para um castelo que está em ruínas.
Daí, você se pergunta: “mas como, raios, algumas pessoas conseguem? Tem gente que consegue, não é?”.
Hun. Tem? Tem mesmo?
Sinceramente, está é outra pergunta que também não sei como responder. No entanto, acho possível. Quem sabe algumas pessoas talvez construam seus castelos com cartas de aço. O trabalho duro costuma ser recompensado, afinal.
Contudo, gostamos tanto deles que sempre os montamos da forma que consideramos melhor e, depois, ainda achamos, que por serem de nossa autoria, eles são perfeitos e invencíveis (o orgulho é um especialista na criação de doces ilusões). Adquirimos, assim, a tendência, não muito inteligente, de esconder a localização de nossos castelos. Portanto, nunca vi um castelo de cartas que nunca tenha sido derrubado ou, pelo menos abalado por ventos fortes. E, não quero desistir do meu tão adorado ceticismo, por isto, nem mesmo acredito em tal castelo.
Mas, não me entenda mal, eu espero que ele exista! Quero que ele exista porque precisamos de modelos: gosto da aprendizagem vicariante. Porém, sei que também precisamos ser empíricos, precisamos aprender por tentativas e erros.
E, é aí, quando adquirimos qualquer experiência e nos consideramos senhores de nós mesmos novamente, que juntamos todas as cartas espalhadas pelo chão, reagrupamos nosso esforço, recolhemos os frangalhos de nós mesmos, e começamos de novo. Vamos, mais uma vez, nos deslumbrar com nossos castelos. Ás vezes montamos castelos completamente novos, outras apenas insistimos no modelo antigo. Não importa, o fascínio pela construção é o mesmo. Já não acreditamos mais em fatos consumados. Castelos são encantadores e o nosso jamais será destruído.
E por que fazemos isto consecutivamente? Oras, porque ser engenheiro de obras prontas é sempre muito chato.
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