quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Manifestações sobre Verdade e Silêncio

Nunca entendi como algumas pessoas podem dizer que não sabem mentir. Qual é a grande dificuldade? Você só tem que dizer o que você deseja que os os outros escutem. Não parece pra mim um obstáculo intransponível.
Mas mesmo sendo fácil do jeito que é, mentir não é algo que faça por prazer. Eu gosto da verdade tanto quanto eu gosto do silêncio.
Verdades e silêncio. É um modo conveniente de se levar a vida

Entretanto, aquilo era totalmente diferente. Eu estava manipulando. Não era verdade, não era mentira e certamente não era silêncio. Era inteligente. E, eu só esperava que o meu ouvinte não fosse inteligente também para ver o que eu estava fazendo.

Manifestações sobre Armadilhas

Já me sinto interrompida
Estou em silêncio, mas sou inocente?
Totalmente capturada pelo inimigo deste meu jogo
Sou cada vez mais mortal.

Manifestações sobre A Vida

Ah,
eu preciso viver
e então morrer.

Manifestações sobre Caminhos Sem Volta

Estive cruzando águas correntes
E só descobri que não posso me ajudar
Será que eu deveria correr e me esconder?
Pois eles não vão me deixar voltar
Não é sorte ou azar
Isto é apenas tudo o que eu posso ser

Manifestações sobre Indecisões

Sou o branco mais negro que existe
ou, talvez eu seja apenas cinza?
É impossível evitar
mas não posso aceitar.
Acordada em um quarto escuro
ainda não sei o que fazer.
Já fui o lenço de Desdêmona
hoje sou só Capitu.
Queria ser Sócrates
e ao menos saber.
Mas, se eu fosse arte,
seria Mona Lisa.
O meu ateísmo é crente demais
então, incógnita permanço.

Manifestações sobre Reparações

Não havia nada para ser feito. Palavras ao vento são palavras que não irão voltar. Coloque seu uniforme de reparador. Esqueça seu traje para conserto. Você consegue ver o fim? E você sabe quando parar? Há razão para culpa? Devo me preocupar? Então, o que foi que você fez? Se você pudesse, você faria diferente? Quero me libertar. Preciso de um pouco de vácuo. Solidão e silêncio. Corte a corda. Desamarre os laços. Apenas pare de pensar. Sem mais torturas, eu lhe rogo. Sem problemas. Sem solução. Sem problemas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Manifestações sobre Castelos de Cartas

Se alguém me perguntasse como isto aconteceu confesso que não saberia como responder.

Quais são as chances?

Suponho que assim como todos os outros absurdos da vida, antes de acontecerem, as chances são sempre mínimas, ínfimas, ridiculamente irrelevantes. Até que eles acontecem. Deixam de ser absurdos.

É quando descobrimos que somos engenheiros de castelos de cartas. E que nosso castelo não era de forma alguma especial. Assim como os outros, ele, eventualmente, faz o que todo bom castelo de cartas faz: desmoronar. É como se ele estivesse fadado a isto.

E, não é fácil ver seu próprio castelo de cartas desmoronar. Não. É decepção pura ver que sua construção é suscetível a qualquer vento que resolver por ali soprar.

Mas, cedo ou tarde, tudo vai por água abaixo, e, então, longe de todos os meus anseios, as coisas se tornam fato consumado. Oh, os fatos consumados...sempre tão irritantemente irreversíveis! Não há volta para um castelo que está em ruínas.

Daí, você se pergunta: “mas como, raios, algumas pessoas conseguem? Tem gente que consegue, não é?”.

Hun. Tem? Tem mesmo?

Sinceramente, está é outra pergunta que também não sei como responder. No entanto, acho possível. Quem sabe algumas pessoas talvez construam seus castelos com cartas de aço. O trabalho duro costuma ser recompensado, afinal.

Contudo, gostamos tanto deles que sempre os montamos da forma que consideramos melhor e, depois, ainda achamos, que por serem de nossa autoria, eles são perfeitos e invencíveis (o orgulho é um especialista na criação de doces ilusões). Adquirimos, assim, a tendência, não muito inteligente, de esconder a localização de nossos castelos. Portanto, nunca vi um castelo de cartas que nunca tenha sido derrubado ou, pelo menos abalado por ventos fortes. E, não quero desistir do meu tão adorado ceticismo, por isto, nem mesmo acredito em tal castelo.

Mas, não me entenda mal, eu espero que ele exista! Quero que ele exista porque precisamos de modelos: gosto da aprendizagem vicariante. Porém, sei que também precisamos ser empíricos, precisamos aprender por tentativas e erros.

E, é aí, quando adquirimos qualquer experiência e nos consideramos senhores de nós mesmos novamente, que juntamos todas as cartas espalhadas pelo chão, reagrupamos nosso esforço, recolhemos os frangalhos de nós mesmos, e começamos de novo. Vamos, mais uma vez, nos deslumbrar com nossos castelos. Ás vezes montamos castelos completamente novos, outras apenas insistimos no modelo antigo. Não importa, o fascínio pela construção é o mesmo. Já não acreditamos mais em fatos consumados. Castelos são encantadores e o nosso jamais será destruído.

E por que fazemos isto consecutivamente? Oras, porque ser engenheiro de obras prontas é sempre muito chato.